4/25/2008

Curiosidades

A cidade das marocas




Belo Jardim seria mais uma cidade comum no interior de Pernambuco se não fosse por um detalhe: é conhecida como a cidade das marocas. Para quem não sabe, maroca significa mexeriqueira, fuxiqueira, fofoqueira. O termo nasceu da novela Redenção, exibida pela extinta TV Excelsior na década de 60, e que tinha como um dos cenários a cidade das marocas. Até hoje é a novela mais longa da televisão brasileira, com dois anos de duração.
Uma cena comum de Belo Jardim é encontrar duas senhoras apoiadas nas janelas de suas casas. Sob o olhar atento delas, as pessoas passam. "O que eu mais vejo aqui é mulher feia passando", brinca uma delas. A fofoca já faz parte do cotidiano dessas pessoas de tal forma, que as chamadas marocas colocam almofadas debaixo do braço. "Para não machucar o cotovelo, não arranhar. Muitas vezes chego aqui de manhã e saio às 10 ou 11 horas da noite", diz a outra.
Mas entre tantas marocas, quem é a mais? A resposta está na ponta da língua de todos os moradores: Dona Maria José. "Não me incomodo, eu gosto de ser fofoqueira. Passou pela minha língua, morreu", se diverte. Segundo Dona Maria, trata-se de uma técnica, debruçar na janela, observar o movimento, e logo começam os comentários acerca da vida alheia. Para a senhora de 91 anos, é uma fofoca construtiva, "nada que faça mal".
As pessoas fazem jus ao nome que a cidade tem. Em Belo Jardim existe até carta-fofoca, quem escreve é Dona Dulce. "Querida irmã e amiga Nicéia, cuidado que Damiana está namorando muito e não quer casar mais nunca", diz um dos bilhetes secretos. "É uma fofoca alerta, de vez em quando pode modificar o comportamento das pessoas", afirma Dona Dulce.
Em uma cidade com essa, a principal festa só podia ser uma: Festa das Marocas. Tradição há 37 anos no calendário de eventos do estado de Pernambuco, a festa foi idealizada por Dona Maria José e mais duas amigas. No início, não passava de uma brincadeira. O tempo passou, e hoje atrai pessoas de todos os lugares.
Na época de festa, Dona Maria José vira, simbolicamente, a prefeita da cidade. Para José Mendonça Bezerra, o prefeito, tê-la na chefia da prefeitura seria garantia de conversa. "A mulher já conversa mais do que o homem, as de Belo Jardim então, muito mais!"
Nessa história, nem os músicos da festa ficam de fora. "A gente presta atenção no que toca e falamos ao mesmo tempo, o ouvido tem que estar atento", diz um deles. O som do baile não poderia ser outro, "aonde tem maroca, tem que ter fofoca".

Reportagem: Renata Alves ( Rede Record )

4/24/2008

Quando e como surgiu a camisinha


Quando e como surgiu a camisinha?
Olá, queria saber quem inventou a camisinha e em que data. Durante séculos, homens e mulheres têm procurado métodos contraceptivos, vários foram testados, mas a maioria se mostrou apenas dolorosa e ineficaz. Na tentativa de evitar uma gravidez indesejada ou doenças sexualmente transmissíveis a humanidade inventou fórmulas tão estranhas quanto gengibre e suco do fumo ou excrementos de crocodilo, que possui pH alcalino, assim como os espermicidas modernos. O nascimento da camisinha não foi muito mais nobre do que isto. Na Ásia usava-se um envoltório de papel de seda untado com óleo. No Antigo Egito os egípcios já usavam ancestrais de camisinhas não como anticoncepcionais, mas como proteção contra picadas de insetos (durante as caçadas, não no sexo). Elas eram feitas de tecido ou outros materiais porosos pouco eficazes como métodos anticoncepcionais. Mas, durante a Idade Média, com a disseminação de doenças venéreas na Europa se fazia necessário a invenção de um método mais eficaz. Em 1564, o anatomista e cirurgião Gabrielle Fallopio confeccionou um forro de linho do tamanho do pênis e embebido em ervas. Mais adiante, estes preservativos passaram a ser embebidos em soluções químicas (pretensamente espermicidas) e depois secados. Foi só no século XVII, que a camisinha ganhou um "toque de classe". O Dr. Quondam, alarmado com o número de filhos ilegítimos do rei Carlos II da Inglaterra (1630-1685), criou um protetor feito com tripa de animais. O ajuste da extremidade aberta era feito com um laço, o que, obviamente, não era muito cômodo, mas o dispositivo fez tanto sucesso que há quem diga que o nome em inglês (condom) seria uma homenagem ao médico. Outros registros indicam que o nome parece vir mesmo do latim "condus" (receptáculo). A "camisinha-tripa" seguiu sendo usada, até 1839, quando Charles Goodyear descobriu o processo de vulcanização da borracha, fazendo-a flexível a temperatura ambiente. Mas não se anime que a higiene absoluta ainda não nasceu. Nesta época, os preservativos de borracha eram grossos e caros e por isto lavados e reutilizados diversas vezes.
As camisinhas de látex só surgiram em 1880 e daí evoluíram à medida que novos materiais foram desenvolvidos, adicionando novas formas, melhorando a confiabilidade e durabilidade.
Redação Terra

4/23/2008

A lenda da carruagem de Ana jansen

Originário das tradições herdadas da época do ciclo econômico do gado, o Auto do bumba-meu-boi conta a história de Pai Francisco e de sua esposa Catirina, negros escravos que vivem na fazenda de um grande senhor.Quando começa a história, Catirina está grávida e, como toda grávida que se preze, tem desejos. Coisa normal, normalíssima até, não fosse apenas por um pequeno detalhe: ela tem desejo de comer a língua de um boi – e não de um boi qualquer, note-se, mas a língua do boi preferido do patrão.Não é difícil imaginar, então, o aperreio de Pai Francisco – com a mulher pressionando dia e noite, se lamentando a todo instante, querendo por que querendo comer uma língua, até a possibilidade de cometer o crime de machucar o boi preferido do amo passa a ser considerada seriamente pelo pobre homem.Finalmente as constantes recriminações surtem o efeito desejado: mesmo morrendo de medo, Pai Francisco decide que vai abater o boi e tirar-lhe a língua para satisfazer o desejo de Catirina.Na calada da noite, pé ante pé, apavorado, mas ainda assim decido a não recuar do seu intento – infame, é certo, só que por uma boa causa -, Pai Francisco audaciosamente rouba o boi preferido do amo e o arrasta para um lugar ermo.Prestes a concluir a matança e tirar a tão desejada língua do boi, Pai Francisco sofre um rude golpe: percebe que o lugar que julgava ermo não é tão ermo assim – descoberto, é denunciado e sua vida fica por um fio, pois ao saber do acontecido o patrão manda o capataz da fazenda apurar o caso. E com rigor.Pai Francisco é preso, mas tenta de todas as maneiras negar o mal-feito ao boi do patrão - o fato, porém, é que o boi sumiu e suas negativas não convencem o capataz. Ele é intimado a dar conta do boi, sob pena de ser morto.Para sorte de Pai Francisco, ele é figura muito querida, e por isso todos da fazenda se mobilizam para ajudá-lo a salvar o boi, que nesse meio tempo agoniza lentamente. São chamados de longe os pajés e os doutores, e depois de muito drama e incerteza, o boi é finalmente ressuscitado. A alegria é geral, contagiante: o boi está salvo e Pai Francisco também.Em homenagem a esse feito, os cantadores tiram as mais belas toadas, os índios, caboclos, vaqueiros, Pai Francisco, Catirina, o próprio amo e o capataz, os animais, pajés, doutores, todos enfim, cantam e dançam felizes: até o boi redivivo dança também, fazendo as mais incríveis evoluções.E a história termina nessa apoteose.

A historia de pai francisco e Catirina


Originário das tradições herdadas da época do ciclo econômico do gado, o Auto do bumba-meu-boi conta a história de Pai Francisco e de sua esposa Catirina, negros escravos que vivem na fazenda de um grande senhor.Quando começa a história, Catirina está grávida e, como toda grávida que se preze, tem desejos. Coisa normal, normalíssima até, não fosse apenas por um pequeno detalhe: ela tem desejo de comer a língua de um boi – e não de um boi qualquer, note-se, mas a língua do boi preferido do patrão.Não é difícil imaginar, então, o aperreio de Pai Francisco – com a mulher pressionando dia e noite, se lamentando a todo instante, querendo por que querendo comer uma língua, até a possibilidade de cometer o crime de machucar o boi preferido do amo passa a ser considerada seriamente pelo pobre homem.Finalmente as constantes recriminações surtem o efeito desejado: mesmo morrendo de medo, Pai Francisco decide que vai abater o boi e tirar-lhe a língua para satisfazer o desejo de Catirina.Na calada da noite, pé ante pé, apavorado, mas ainda assim decido a não recuar do seu intento – infame, é certo, só que por uma boa causa -, Pai Francisco audaciosamente rouba o boi preferido do amo e o arrasta para um lugar ermo.Prestes a concluir a matança e tirar a tão desejada língua do boi, Pai Francisco sofre um rude golpe: percebe que o lugar que julgava ermo não é tão ermo assim – descoberto, é denunciado e sua vida fica por um fio, pois ao saber do acontecido o patrão manda o capataz da fazenda apurar o caso. E com rigor.Pai Francisco é preso, mas tenta de todas as maneiras negar o mal-feito ao boi do patrão - o fato, porém, é que o boi sumiu e suas negativas não convencem o capataz. Ele é intimado a dar conta do boi, sob pena de ser morto.Para sorte de Pai Francisco, ele é figura muito querida, e por isso todos da fazenda se mobilizam para ajudá-lo a salvar o boi, que nesse meio tempo agoniza lentamente. São chamados de longe os pajés e os doutores, e depois de muito drama e incerteza, o boi é finalmente ressuscitado. A alegria é geral, contagiante: o boi está salvo e Pai Francisco também.Em homenagem a esse feito, os cantadores tiram as mais belas toadas, os índios, caboclos, vaqueiros, Pai Francisco, Catirina, o próprio amo e o capataz, os animais, pajés, doutores, todos enfim, cantam e dançam felizes: até o boi redivivo dança também, fazendo as mais incríveis evoluções.E a história termina nessa apoteose.

4/21/2008


Breve história de Tutóia
As primeiras tentativas de exploração da costa do nordeste maranhense, encravada ali no delta parnaibano, procederam às colonização desde os idos de 1.571, quando Nicolau Resende e seus companheiros promoveram as primeiras jornadas exploradas à aludida costa. Esta informação se insere na narrativa de Gabriel Soares, escritor da época, e citado por F. Pereira da Costa (Cronologia histórica do Estado do Piauí", Rio 1074, pag, 26), que alude ao "Rio do Meio" como sendo o braço do Parnaíba que deságua entre as ilhas dos Poldros e das Canárias, formando atual "Barra do Meio", e, referindo-se, assim, à "Baía do Ano Bom", como sendo a "Barra de Tutóia".
AS MAIS PROVÁVEIS ORIGENS DO NOME TUTÓIA
A Respeito deste tema, temos que considerar as, múltiplas versões existentes, por sinal, conterversas, pitorescas, lendárias, poéticas.
A primeira delas, sustentada pelo historiador Ludwing Schwenhagen, indica que Tutóia é uma corruptela de "Tróia, a célebre cidade grega da Ásia Menor, tornada famosa pela beleza de Helena, que provocou a guerra cantada em versos por Homero, há mais de 1.000 anos A.C. Inclusive, o citado cronista afirma que foram os fenícios os autores desta denominação, quando surgiram por essas bandas, no século XII A.C., para virem buscar salitre que serviria ao embalsamento de suas mumias (?). Conjetura ainda ele que, estes legendários navegantes fundaram ali, na costa maranhense, a fim de dominar a foz do rio, uma colônia com o nome de "Turtóia", pelo que explica que "Tur" era a rica cidade e metrópole da grande navegação e Tróia, era a histórica vencida cujo nome trouxe a grinalda imortal da glória". E continua Ludwing: "O costume de corta o r é muito antigo e usado também no tempo moderno, na língua luso-brasileira. É provável que os tupis pronunciassem Turtróia ou Turtóia, ainda no tempo da chegada dos portugueses, os quais cortaram o r".
Outra versão, encontrada na monografia "Tutoia e Seu Folclore" aponta o termo como procedente do meio indígena, onde, na linguagem "Tremembés", Tutóia quer dizer "lençol de areia", "grande extensão de dunas", que caracteriza efetivamente a topografia da costa litorânea de Tutóia. Hipótese esta bem mais aceitável do que a primeira. Circula por entre as opiniões populares, uma outra versão, pela qual o nome Tutóia provém d o tupi guarani e siginifica "água boa". Prém, a que é mais aceita pela maioria, encontra mas respaldo, mais lógica e justificada. Ela admite que "Tutóia" é uma corruptela de "Totoi" que, em linguagem indígena quer dizer: "que beleza!", "que encanto!".
Fonte: "PANORAMA HISTÓRICO DE TUTÓIA E ARAIOSES", de PAULO OLIVEIRA, São Luis, 1.987.

4/18/2008


SÃO LUÍS - MA
A única capital brasileira fundada por franceses

Fundada em 1612 pelos franceses, ao contrário da grande maioria das outras cidades brasileiras, São Luís é aconchegante e cativante. Seu povo, sempre alegre, é cheio de lendas para nos contar, e de danças para nos ensinar. As belas terras que formam a ilha nos oferecem praias magníficas. E Deus, muito sábio, fez com que o charme e o tempero da cidade, assim como o de sua gastronomia, sejam inigualáveis!

Localizada entre os rios Anil e Bacanga, a ilha de São Luís do Maranhão tem em sua parte oeste o centro histórico da cidade, com casarões imensos, de fachadas imponentes em azulejo, sacadas de ferro, e tudo no mais tradicional estilo do século XVII, bem como a Praça D. Pedro II, aonde localizam-se também a Igreja da Sé e o Palácio dos Leões. Nem tudo está em seu melhor estado de conservação, mas o projeto Reviver está trabalhando na restauração, afinal, o centro histórico de São Luís é parte do Patrimônio Histórico da Humanidade (Unesco).

Tambor de Crioula

Tudo na Ilha é cheio de Magia, misticísmo e lendas. E como em qualquer lugar do Brasil, é claro que não poderiam faltar algumas danças tradicionais: Do popular Bumba-meu-boi, ao Tambor de Crioula, esta somente tocada por senhoras, as danças são sempre muito alegres, e claro, têm um motivo e uma história para acompanhar. Cabe a você descobrir a lenda de cada uma, junto aos simpáticos moradores da cidade. Fora as danças, o Reggae é o tipo de música mais apreciado e tocado na cidade, que já é até chamada de "Jamaica Brasileira".

Apesar de diferentes das do resto do Brasil, as praias de São Luís, que costumam ter um mar um pouco mais escuro do que o que estamos acostumados a ver, são belíssimas. A mais famosa, e preferida dos surfistas e de quem gosta de agitação, é a de São Marcos. Mas se a sua preferência é por um pouco mais de privacidade e tranquilidade, escolha a de Araçagi.


Por último, mas não menos importante, temos que destacar a culinária da ilha, que mistura elementos da cozinha portuguesa, africana e indígena, o que resulta sempre em pratos exóticos e muito saborosos. O mais famoso deles é o Arroz de Cuxá, que você não pode deixar de provar. Para depois da sua deliciosa refeição, não faltam doces e bebidas caseiras e típicos da região. O artesanato também não pode ser esquecido: Bordados, rendas, azulejos e licores podem ser comprados e guardados para sempre por você, como lembrança do maravilhoso passeio que você fez pela Ilha de São Luís.
SÃO LUÍS - MA
A única capital brasileira fundada por franceses

Fundada em 1612 pelos franceses, ao contrário da grande maioria das outras cidades brasileiras, São Luís é aconchegante e cativante. Seu povo, sempre alegre, é cheio de lendas para nos contar, e de danças para nos ensinar. As belas terras que formam a ilha nos oferecem praias magníficas. E Deus, muito sábio, fez com que o charme e o tempero da cidade, assim como o de sua gastronomia, sejam inigualáveis!

Localizada entre os rios Anil e Bacanga, a ilha de São Luís do Maranhão tem em sua parte oeste o centro histórico da cidade, com casarões imensos, de fachadas imponentes em azulejo, sacadas de ferro, e tudo no mais tradicional estilo do século XVII, bem como a Praça D. Pedro II, aonde localizam-se também a Igreja da Sé e o Palácio dos Leões. Nem tudo está em seu melhor estado de conservação, mas o projeto Reviver está trabalhando na restauração, afinal, o centro histórico de São Luís é parte do Patrimônio Histórico da Humanidade (Unesco).

Tambor de Crioula

Tudo na Ilha é cheio de Magia, misticísmo e lendas. E como em qualquer lugar do Brasil, é claro que não poderiam faltar algumas danças tradicionais: Do popular Bumba-meu-boi, ao Tambor de Crioula, esta somente tocada por senhoras, as danças são sempre muito alegres, e claro, têm um motivo e uma história para acompanhar. Cabe a você descobrir a lenda de cada uma, junto aos simpáticos moradores da cidade. Fora as danças, o Reggae é o tipo de música mais apreciado e tocado na cidade, que já é até chamada de "Jamaica Brasileira".

Apesar de diferentes das do resto do Brasil, as praias de São Luís, que costumam ter um mar um pouco mais escuro do que o que estamos acostumados a ver, são belíssimas. A mais famosa, e preferida dos surfistas e de quem gosta de agitação, é a de São Marcos. Mas se a sua preferência é por um pouco mais de privacidade e tranquilidade, escolha a de Araçagi.


Por último, mas não menos importante, temos que destacar a culinária da ilha, que mistura elementos da cozinha portuguesa, africana e indígena, o que resulta sempre em pratos exóticos e muito saborosos. O mais famoso deles é o Arroz de Cuxá, que você não pode deixar de provar. Para depois da sua deliciosa refeição, não faltam doces e bebidas caseiras e típicos da região. O artesanato também não pode ser esquecido: Bordados, rendas, azulejos e licores podem ser comprados e guardados para sempre por você, como lembrança do maravilhoso passeio que você fez pela Ilha de São Luís.


LENDA DA SERPENTE ENCANTADA DE SÃO LUÍS (Maranhão) Diz a lenda que uma serpente adormecida cresce pouco a pouco ao redor da ilha de São Luís, e no dia em que sua cauda encontrar a cabeça, o monstro destruirá a cidade, fazendo com que ela seja tragada para sempre pelo oceano. Afirma-se, também, que um dos locais em que é possível confirmar tal história é a Fonte do Ribeirão, onde está a cabeça do animal, e quem olhar através das grades da entrada, poderá reparar nos medonhos olhos da cobra luzindo na escuridão. Segundo a crença, a gigantesca serpente encantada habitaria as galerias subterrâneas que percorrem o Centro Histórico de São Luis, e do seu corpo descomunal a barriga encontra-se à altura da igreja do Carmo, e a cauda à da igreja de São Pantaleão. A imaginação popular criou explicações diferentes para essas construções subterrâneas na capital maranhense. Uma garante que elas teriam funções estratégicas, pois serviriam para permitir a fuga em caso de ataques de invasores estrangeiros ou revoltas populares, já que muitas têm saída para o mar; outra afirma que elas eram usadas pelos padres para se locomoverem em segredo de uma igreja para outra, e de também promoverem por ali um rendoso contrabando de mercadorias e escravos. Na verdade, as bicas da Fonte do Ribeirão são alimentadas através dessas galerias: a principal possui dois metros de largura e suas paredes são guarnecidas dos dois lados por bacias incrustadas nos nichos de onde brota a água, que depois escorre por condu-tos laterais até sair pelas bocas das carrancas, situadas mais abaixo. Construída em 1796 a mando do governador D. Fernando Antonio de Noronha (1792-1798), considerado o mais ineficiente de quantos estiveram à frente da administração maranhense durante o período colonial, a Fonte do Ribeirão, situada entre as ruas do Ribeirão, das Barrocas e dos Afogados, tinha como objetivo principal melhorar o saneamento da cidade através do fornecimento de água potável à sua população, mas o passar do tempo acabou por envolver essa obra em um manto de lendas e mistérios criados pela imaginação popular. No entanto, o mais conhecido deles - justamente o da serpente encantada - já existia bem antes dessa data. O padre Antônio Vieira (1608-1697), quando chegou ao Maranhão em 1653, encontrou um estado praticamente independente do resto do Brasil, um litoral imenso que se estendia do Ceará à foz do rio Amazonas, cheio de dunas, mato fechado e pouco desbravado, um verdadeiro vespeiro, segundo seu entendimento, no qual os jesuítas se defrontavam diariamente com os colonos. Por isso, magoado com as rixas constantes que era forçado a enfrentar, ele resolveu desabafar em abril de 1654, quando ao final da missa que rezara, pronunciou um sermão purgativo. Nele, o grande missionário afirmou que o Maranhão havia se transformado no “reino da mentira”, e lá, como no fundo dos mares, não havia solidariedade alguma, pois tal como entre os crustáceos e os peixes, imperava o canibalismo. A inconstância de tudo por lá era tamanha, dizia o jesuíta, que a baía de São Luís era a única, no mundo inteiro, onde até o sol, tão certeiro em outras latitudes, enganava os pilotos. E afirmava: “olhando o astrolábio, ora ele indicava um grau, ora dois, e o resultado era que muitos barcos encalhavam por lá”. O que o fez concluir que “até o céu mentia no Maranhão”. Continuando, disse o padre Antônio Viera que naquela vila a mentira, não tendo para onde ir, alimentava ainda mais outras inverdades. Nasciam e ali ficavam. Lá a mentira dançava de roda. Era por isso, talvez, que o povo temia a Serpente da Ilha, monstruoso ofídio que diziam dormir ao redor de São Luís, e que se algum dia suas presas encontrassem o seu rabo, mordendo a si mesmo, ela se ergueria para devastar com tudo. Fonte: www.patrimoniolz.com.br