4/18/2008



LENDA DA SERPENTE ENCANTADA DE SÃO LUÍS (Maranhão) Diz a lenda que uma serpente adormecida cresce pouco a pouco ao redor da ilha de São Luís, e no dia em que sua cauda encontrar a cabeça, o monstro destruirá a cidade, fazendo com que ela seja tragada para sempre pelo oceano. Afirma-se, também, que um dos locais em que é possível confirmar tal história é a Fonte do Ribeirão, onde está a cabeça do animal, e quem olhar através das grades da entrada, poderá reparar nos medonhos olhos da cobra luzindo na escuridão. Segundo a crença, a gigantesca serpente encantada habitaria as galerias subterrâneas que percorrem o Centro Histórico de São Luis, e do seu corpo descomunal a barriga encontra-se à altura da igreja do Carmo, e a cauda à da igreja de São Pantaleão. A imaginação popular criou explicações diferentes para essas construções subterrâneas na capital maranhense. Uma garante que elas teriam funções estratégicas, pois serviriam para permitir a fuga em caso de ataques de invasores estrangeiros ou revoltas populares, já que muitas têm saída para o mar; outra afirma que elas eram usadas pelos padres para se locomoverem em segredo de uma igreja para outra, e de também promoverem por ali um rendoso contrabando de mercadorias e escravos. Na verdade, as bicas da Fonte do Ribeirão são alimentadas através dessas galerias: a principal possui dois metros de largura e suas paredes são guarnecidas dos dois lados por bacias incrustadas nos nichos de onde brota a água, que depois escorre por condu-tos laterais até sair pelas bocas das carrancas, situadas mais abaixo. Construída em 1796 a mando do governador D. Fernando Antonio de Noronha (1792-1798), considerado o mais ineficiente de quantos estiveram à frente da administração maranhense durante o período colonial, a Fonte do Ribeirão, situada entre as ruas do Ribeirão, das Barrocas e dos Afogados, tinha como objetivo principal melhorar o saneamento da cidade através do fornecimento de água potável à sua população, mas o passar do tempo acabou por envolver essa obra em um manto de lendas e mistérios criados pela imaginação popular. No entanto, o mais conhecido deles - justamente o da serpente encantada - já existia bem antes dessa data. O padre Antônio Vieira (1608-1697), quando chegou ao Maranhão em 1653, encontrou um estado praticamente independente do resto do Brasil, um litoral imenso que se estendia do Ceará à foz do rio Amazonas, cheio de dunas, mato fechado e pouco desbravado, um verdadeiro vespeiro, segundo seu entendimento, no qual os jesuítas se defrontavam diariamente com os colonos. Por isso, magoado com as rixas constantes que era forçado a enfrentar, ele resolveu desabafar em abril de 1654, quando ao final da missa que rezara, pronunciou um sermão purgativo. Nele, o grande missionário afirmou que o Maranhão havia se transformado no “reino da mentira”, e lá, como no fundo dos mares, não havia solidariedade alguma, pois tal como entre os crustáceos e os peixes, imperava o canibalismo. A inconstância de tudo por lá era tamanha, dizia o jesuíta, que a baía de São Luís era a única, no mundo inteiro, onde até o sol, tão certeiro em outras latitudes, enganava os pilotos. E afirmava: “olhando o astrolábio, ora ele indicava um grau, ora dois, e o resultado era que muitos barcos encalhavam por lá”. O que o fez concluir que “até o céu mentia no Maranhão”. Continuando, disse o padre Antônio Viera que naquela vila a mentira, não tendo para onde ir, alimentava ainda mais outras inverdades. Nasciam e ali ficavam. Lá a mentira dançava de roda. Era por isso, talvez, que o povo temia a Serpente da Ilha, monstruoso ofídio que diziam dormir ao redor de São Luís, e que se algum dia suas presas encontrassem o seu rabo, mordendo a si mesmo, ela se ergueria para devastar com tudo. Fonte: www.patrimoniolz.com.br

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu adoro lendas, essa da serpente de são luis é muito boa.